Monday, July 1, 2013

Friday, June 21, 2013

O caminho da saudade

Aí, miúdas....
a ler sobre a vossa viagem dei por mim a relembrar a minha...
Em cada palavra vossa que lia, uma memória na minha cabeça se iluminava.

Fico feliz que tenham sido felizes...eu também fui, muito.
A mim o caminho abriu-me a cabeça...e deu-me cabo dos joelhos...
Mas valeu a pena, a minha e a vossa viagem.
Parabéns, minhas lindas.

....
Nós fizemos 211 kms. Do Porto até Santiago...
Das paragens não me lembro....Labruja...nunca esquecerei,
as bué de setas no chão e a mesma sensação de achar que estava quase no fim...o fim que nunca mais chegava...as fotos cliches também as fiz...Pádron, Caldas dos Reis onde me pus de molho..e que bem que me soube a água nas pernas e nos pés...
Quando for a Lisboa quero trocar cromos com vocês.
Por agora ficam umas memórias para a troca. Bjs








SANTIAGO - um caminho pintado de amarelo (etapa 6)

1 de maio | 6ª etapa
padrón - santiago = 22 kms


respira fundo, esta é a nossa última etápa!!!  :)
 
o ultimo reforço de anestesia...
olha o tamanho da mochila da renata! foge!

quem é que disse que os últimos
são como os primeiros?
bué de setas! pensamos que santiago era já ali
ao virar da curva... estavamos enganadas.
a chegada a santiago foi talvez a parte menos
interessante do percurso (tirando a recta de 3 kms)


dia do trabalhador é sinónimo de manif.
confesso que ainda nos passou pela cabeça fazer parte desta,
mas participar numa manif implica estarmos de pé... e andar...
 

o primeiro clichê!

o segundo clichê!

o terceiro clichê!
 
o quarto clichê!
 
o nosso fiel companheiro de viagem, ou um da
mesma espécie. o nosso pássaro da guarda.
sempre que chegavamos a um albergue
ou sempre que partíamos para outra terra,
víamos um :)


depois das fotos, fomos certificadas peregrinas oficiais.
juntamo-nos à mesa com os demais amigos. comemos e bebemos bem.
descansámos. e voltamos a comer e a beber na companhia dos valentes rui, josé e renata.
com eles assistimos à missa do peregrino no dia seguinte e assim que a ostia foi servida, pegamos uns nos outros e abalámos para casa. primeiro de comboio, depois de autocarro. e depois de boleia até ao porto.


ca lindos!

a travessia da ponte com vista para valença

em cima o céu, em baixo o rio,  
para traz espanha e prá frente é que é caminho.
chegámos a portugal a cheirar muito mal, mas mais crescidas
e com a plena noção da nossa capacidade de sacrifício, dedicação e condição física.
E FELIZES :)

Thursday, June 20, 2013

SANTIAGO - um caminho pintado de amarelo (etapa 5)

30 de abril | 5ª etapa
caldas de rei - padrón = 16 kms 

desta etapa não temos fotos, apenas bons momentos gravados na memória de cada uma; dos companheiros que nos protegeram da chuva, dos compassos de espera uns pelos outros, das piadas, das gargalhadas.
e foi a primeira vez que chegámos antes do albergue abrir.
um albergue 5 estrelas (não contando com o duche, que era a conta gotas...)

almoçamos bem, em boa companhia, abastecemo-nos de pão e vinho e lá fomos todos para a cozinha do albuergue, trocar umas palavras, fechar as portas à casa e os olhos à alma.

por esta altura nós já fediamos por todos os poros. por mais duches que tomassemos, a nossa roupa quente cheirava mal e não era possível de ser lavada.
embora o tempo estivesse de feição para fazer caminhadas, não dava para secar a roupa à noite e de manhãzinha, o frio cortava-nos os pelos das pernas... por isso lá andavamos nós com as mesmas leggins e camisola polar a federem!



à saída de padrón, ainda tivemos tempo de tirar uma foto para o album do Pépe, um aficcionado por peregrinos, que parece que não faz mais nada na vida a não ser esperar à porta do seu bar que os mesmos saiam do albergue para lhes cravar uma dedicatória, uma foto e quem sabe... um beijo na boca!

SANTIAGO - um caminho pintado de amarelo (etapa 4)

29 de abril | 4ª etapa
pontevedra - caldas de rei = 24 kms



e o dia começou assim... com um mergulho no rio!
QUERIAS!
estava um frio de rachar, mas uma luz espectacular
e apenas paramos para a contemplar
 
logo depois, toca a aquecer o que resta dos músculos,
para não piorar a coisa
 
e o mais importante de tudo: um sorriso e Ânimo,
que ainda nos faltava tanto...


e a partir daqui o caminho foi feito em zig-zag por entre
terrenos, pradarias e vinhas de particulares só mesmo para
não ser em linha recta pela N550
 


fizemos um break em Briallos para pôr
os pés ao léu e repor as energias

quando finalmente chegámos a Caldas de Reis, eu (CML) senti pela primeira vez duas barras de cimento em vez de pernas. e os pés?!  não há adjectivo.
queria tanto chegar a Caldas de Reis para os pôr de molho nas famosas águas termais, que de acordo com o guia...

"Os nossos pés agradeceram a fonte termal onde os leões vomitam sem cessar uma água quente e reparadora e a formosa “Calle Real” transporta- nos para a Ponte Bermaña."

... mas quem estava prestes a vomitar era eu se não me sentasse e me devorasse uma dose qualquer de comida com hidratos de carbono e bué de calorias.

depois de um merecido descanso nos beliches maravilha, que abanavam se uma mosca lá pousasse, fizemos amizade com quem seriam os nossos companheiros de viagem no dia a seguir - os castiços irmãos do porto, o altino, especialista nestas andanças, e o Nuno que veio desde famalicão e que fez a famosa Serra da Labruge! só aí deu cabo dos dois joelhos. ele foi a nossa referência e o nosso alento para continuar.

deitámo-nos ao som da música Aléluia tocada pelo bandolim da americana da califórnia (vizinha da AML, por sinal) apimentada pelas vozes dos italianos e dos belgas.

SANTIAGO - um caminho pintado de amarelo (etapa 3)

28 de abril | 3ª etapa
redondela - pontevedra = 18 kms


definição de zona de descanso do peregrino = situada geralmente
numa subida íngreme como o raio 

mas depois somos compensadas com mais bosques
que vão alternando com a estrada N550

aqui, a belissíma chegada a Arcade, terra oficial da ostra, e onde a
arquitectura rural da Galicia Sul conjuga como em nenhuma
outra parte, o sabor campesino com o marinheiro.
e o que me apeteceu ficar por ali... 

depois de passarmos a velhinha Puente de Sampayo,
e de termos bebido uma Cidra bem fresquinha,
como bem aconselhava o guia da AML,
decidimos fazer uma curta metragem 

video


a paisagem é quase sempre bela e quase sempre amarela.
daqui em diante, o que nos fazia vibrar mesmo era quando
liamos no guia a seguinte conjunção de palavras:
Iniciamos uma descida ou continuamos a subir ou
suave subida/descida ...
VENHAM AS RECTAS!!!
mas com árvores de espécies variadas
e com fontes de água e com passáros

chegámos finalmente ao albergue. depois do banho tomado
e da roupa lavada, ainda conseguimos apanhar
os últimos raios de sol. desta vez fomos exemplares.
fomos das primeiras a deitar mas ... das últimas a levantar.
também foi neste albergue que ouvimos a tão temida sinfonia.
aquilo é que é roncar, xiça!

também foi neste albergue que descobrimos que há outros
caminhos que nos levam a santiago, nomeadamente o litorial.
quero tanto!

Wednesday, June 19, 2013

SANTIAGO - um caminho pintado de amarelo (etapa 1 e 2)

para já colocamos apenas as fotos, criteriosamente seleccionadas.
o relato será escrito a quatro mãos, quando elas se juntarem.

assim foi a nossa aventura no caminho de santiago | de 26 de Abril a 1 de Maio de 2013.

BALANÇO

bolhas: 0
joelhos: 2 (não superados)
dores na anca esquerda: 1 (superadas)
dores laterais no pé direito: 1 (superadas)
Nimed: 3/4 comprimidos
gel para as dores: meio tubo fora de prazo
adesivos para bolhas: 2/3

amigos: pelo menos 7, fora aqueles com os quais não ficámos com os contactos
gargalhadaspara lá de 100 ou 1 000
crescimento individual e espiritual:  atingido
kms calcorreados a pé: 112 kms
vontade de repetir: muita


26 de abril | 1ª etapa
lisboa - valença do minho = cerca de 400 kms em linha recta, de comboio.
valença - tui = 3 kms a pé


chegada a valença. a fazer os preparativos para
a grande caminhada

aqui ainda com ar turistas ... e sorridentes

o tamanho da mochila da CML,
ainda bem arrumadinha

a nossa primeira aventura gastronómica em espanha...
uma pediu cogumelos (é melhor jogar pelo seguro);
a outra pediu Setas sem saber muito bem o que era
(gosta de arriscar).
resumindo: as duas comeram cogumelos
uns de lata e os outros com um ar mais sofisticado!

no primeiro albergue, ainda com a pica toda, ainda sorridentes
 (pudera só tinhamos andado 3 kms) 
se calhar foi dos cogumelos...


27 de abril | 2ª etapa
tui - redondela = 29 kms
[Connosco ou é 3 ou 30 km. não há cá meios termos!]

e assim se acorda em Tui às 7h00, com vista para o rio minho

 
abastecendo água na primeira fonte encontrada.
a água é fundamental para se fazer uma boa caminhada.

o tamanho da mochila da AML.
de se notar que o tamanho das  nossas mochilas foi muito elogiado
entre os demais peregrinos. houve até alguém que nos perguntou
se estavamos a caminho da escola ou se estavamos efectivamente a caminho de santiago...

há paisagens que não vale a pena fotografar, porque a máquina não capta nem
um terço da beleza, da serenidade que nos é oferecida pela natureza.
este foi um dos troços mais bonitos que fizemos.

não ficámos em Mós, porque o albergue estava cheio.
ainda tinhamos 10 kms pela frente até ao próximo albuergue e
achamos que estavamos com força suficiente para lá chegar. 
essa força foi-se ao fim de poucos kms.
assim que vimos esta placa, passamos a ser crentes.


nós com ar de crentes!


até aqui já tinhamos desfrutado da serenidade rural e das deslumbrantes paisagens que este caminho nos proporciona, atrarvés dos pinhais, bosques e vias romanas.
já tinhamos feito o raio da recta de 3 kms sem sombra ou viválma, ou café ou qualquer coisa que nos fizesse distrair para que os malfadados 3 kms passassem rápido.

já tinhamos trocado frases com as três brasileiras, companheiras dos primerios kms, e ficámos a saber que uma delas, a mais velha por sinal, já tinha feito o caminho francês. UAU! ficámos mesmo impressionadas...
kms mais tarde ficámos a saber que elas, a dada altura do caminho, apanhavam um taxi, porque estavam realmente esgotadas...

e nós também estavamos esgotadas. chegámos ao albergue, conhecemos a renata e, depois do banho tomado, da pomada e adesivos postos, fomos jantar e adormecemos que nem dois bebés. cedinho... para cedinho levantar.